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Bezerro tem maior valorização que o boi gordo, aponta Esalq

Bezerro tem maior valorização que o boi gordo, aponta Esalq

26 de abril de 2010

O indicador Esalq/BM&FBovespa bezerro MS à vista foi cotado a R$ 709,12/cabeça, na última segunda-feira (19/04), maior valor desde 31 de outubro de 2008. Em 2010, este indicador acumulou alta de 17,80%, com uma média de R$ 633,87/cabeça.

Hoje a arroba do bezerro está valendo R$ 118,19, 43,74% acima do valor pago pelo boi gordo. Esta diferença está bem acima da média dos últimos 10 anos, que é de aproximadamente 17,7%. No mesmo período do ano passado a diferença entre as arroba do bezerro e do boi gordo estava em 32,75%.

A margem bruta na reposição, representa o que sobra da venda de um boi gordo de 16,5@ e compra de um bezerro de reposição e será utilizada para investimentos, pagamento de contas e salários e lucro. Acreditamos que este indicador representa melhor o poder de compra do pecuarista, já que normalmente essa é a operação realizada pela maioria dos invernistas.

Hoje a margem bruta está sendo calculada em R$ 647,51, acumulando desvalorização de 2,64% e evidenciando que no momento a reposição esta desfavorável para o invernista.

Na semana passada fizemos uma rápida enquete com os usuários do BeefPoint perguntando como devem se comportar os preços da reposição nos próximos meses, veja abaixo algumas das opiniões:

O leitor do BeefPoint, Alfredo Teixeira Louzeiro Filho, de Rondônia, nos enviou o seguinte comentário sobre o assunto, "a alta do preço de reposição deve permanecer, até que os estoques de fêmeas se estabilizem. Isso era esperado depois que o bezerro chegou a preços muito baixos, não remunerando o criador e fazendo com que suas matrizes fossem para o abate".

"O futuro da atividade recria/engorda, está condicionada a encontrar animais jovens para aquisição. O grande nó é que não existem mais criadores dispostos a trabalhar para somente sobreviver. Tem sido mais rentável, vender uma fêmea adulta e gorda para abate, do que ficar com ela na propriedade por mais 16 a 18 meses para no fim vender o bezerro ou bezerra, por um valor que na média mal paga a mantença da mãe, pelo tempo necessário para disponibilizar o animal jovem para o mercado. Ou ganhamos todos, ou desapareceremos. Boa sorte para todos os que vendem e os que compram", comentou José Manuel de Mesquita.

José Ricardo Skowronek Rezende ressalta, "uma coisa que aprendi é que o preço da reposição tem muito mais a ver com as expectativas futuras dos agentes econômicos que com o custo de produção presente dos criadores ou invernistas. Infelizmente não tenho acesso a dados suficientes para prever o futuro de curto prazo dos preços de animais de reposição, mas constato que os ajustes de preços dentro da cadeia pecuária tem sido muito bruscos, denotando falta de informação e integração dos agentes. E sem informação e acordos comerciais sólidos com clientes e fornecedores esta cada vez mais difícil planejar num horizonte compatível com o clico de produção e acabamos gerando ineficiências / riscos desnecessários na operação consolidada (cria, recria, engorda, abate, distribuição)".

"Acredito que essa alta no preço do bezerro se torne uma tendência. Seu pico será dado em grande parte por ajuste de rentabilidade entre as fases do ciclo pecuário. Está na hora do bolo ser repartido por igual, é muito caro produzir um bezerro e demanda muita eficiência e tecnificação, aquele que não enxerga isso tende a desaparecer da atividade", analisou Renan Aires de Alencar.

Para Amauri Antonio de Mendonça, de Álvares Florence/SP "estamos na contra mão da atividade, sempre foi o boi gordo a ditar os preços do garrote e do bezerro. Hoje isto se inverteu, o bezerro está determinado os preços das demais recrias".

"Há 2 anos o valor do bezerro chegou a R$ 800,00 ou mais, pois alguns esperavam que o boi iria a R$ 100,00 por arroba. Nesse momento que o mercado futuro deu uma altinha já ficam com essa falsa esperança de novo. O fato é que o boi não foi e não vai a R$ 100,00. Nossa arroba já é a mais cara do mundo inviabilizando altas para a exportação. No mercado interno se a carne bovina subir o consumidor tende a buscar alternativas mais baratas. Portanto, há 2 anos quem pagou o bezerro caro ficou com o mico nas mãos. Agora acontecerá novamente", concluiu Marcos Francisco Peres.

Luiz Antônio Carvalho Luciano, leitor do BeefPoint de Goiânia/GO acredita que houve um aumento na demanda por bois motivado pela implantação dos grandes confinamentos que além de aumentar o número de abates por ano também antecipou a idade de abate. "Todo esse aumento expressivo pela demanda do insumo básico, o bezerro ou o garrote, não está sendo suportado pelas máquinas, as vacas. Assim, eu acredito que enquanto a oferta e a demanda pelo insumo do invernista não forem equalizadas ele vai continuar subindo. Se nós temos mesmo um teto que vai limitar o aumento da arroba, então o invernista vai passar por um momento difícil e o criador vai melhorar seus pífios ganhos. Esse é o mundo regido pelo que existe de mais soberano, o Mercado. Nós pecuaristas temos que entendê-lo e adequar a ele, e atenção, ele vai mudar muito e cada vez mais rápido", finalizou.

"Acredito que a tendência do preço do bezerro, será sempre de alta, a médio e longo prazo, com pequenas flutuações, em pequenos intervalos do período! Considero aqui,3 anos, como longo prazo! O fato é que desde 2003, a pecuária vêm sendo castigada, resultando em enormes prejuízos, da porteira para dentro. Quer dizer, que o ciclo de baixa, foi prolongado artificialmente, por no mínimo 3 anos, pela ação do mercado e dos problemas sanitários. Começou a reagir em 2007, e o ciclo de alta foi novamente abortado pela crise mundial, em 2008 e 2009", analisou Orcino Gonçalves da Silva Júnior, de Iaciara/GO.

Ele continua ressaltando que "isso resultou, um ciclo vicioso para baixo, com elevado abate de fêmeas, e diminuição do rebanho! Soma-se a isso, o crescente aumento das exportações, e da capacidade de consumo interno, com aumento real de renda da população e ainda, as boas perspectivas futuras para a economia. Logo devemos ter um mercado demandado interna e externamente, sem outras fontes de abastecimento, pois todos os países produtores, registram a queda no rebanho. Conclui-se que, deve haver um aumento de desfrute pelo uso da tecnologia de reprodução e nutrição, bem como a reposição natural do rebanho". "Até que se estabilize este crescimento, o bezerro deve subir e empurrar também o preço do boi, que terá de ser repassado, até o seu limite, para o consumidor. Portanto, creio que o bezerro e também o boi, devem recuperar as margens perdidas, nos últimos 7 anos, e ter ainda, um pequeno ganho real comparando-se com a inflação. Lembrem-se, que no período, pré crise, o boi encostou nos U$ 60,00", concluiu Gonçalves da Silva Júnior.

Fonte: BeefPoint
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