Boi gordo: pressão de baixa se mantém, e arroba vai a R$ 312 nas praças paulistas, informa a Scot Consultoria

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No curtíssimo prazo, consumo fraco da carne bovina no mercado doméstico e escalas de abate mais confortáveis devem reduzir apetite das indústrias frigoríficas pela boiada gorda.

A pressão de baixa nos preços do boi gordo tem ganhado força nas praças de São Paulo e também em algumas outras importantes regiões brasileiras, como no Mato Grosso, informam nesta quinta-feira, 26 de agosto, as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário.

A maior disponibilidade de gado confinado, oriundo do primeiro giro, permitiu ajustes nas ofertas de compra e alongamento das escalas de abate dos frigoríficos paulistas, que hoje atendem, em média, dez dias, relata a Scot Consultoria, de Bebedouro, SP.

Com isso, houve queda de R$ 1/@ no valor do animal terminado nas praças paulistas, em comparação ao dia anterior, para R$ 312/@, preço bruto e a prazo, aponta a Scot.

Por sua vez, as cotações da vaca e da novilha gordas ficaram estáveis no Estado de São Paulo, e hoje valem R$ 292/@ e R$ 307/@, respectivamente, preços brutos e a prazo.

Segundo relatos do zootecnista Douglas Coelho, sócio da Radar Investimentos, com escritório na capital paulista, depois de um longo período de “banho-maria”, a indústria frigorífica também tem voltado à normalidade, tentando comprar matéria-prima por preços menores.

“Aquelas ofertas de compra ao redor de R$ 315/@, à vista, nas praças paulistas, perderam a frequência durante a última semana”, afirma Coelha, acrescentando que, atualmente, o boi gordo vale em torno de R$ 310/@, nas mesmas condições de pagamento, em São Paulo.

Além disto, continua o zootecnista, diante de escalas historicamente alongadas – ao redor de seis dias em média –, “é possível que essas tentativas de compra a preços mais baixos permanecem, pelo menos, durante os próximos dez dias”.

Na avaliação da Scot Consultoria, o mercado do boi gordo segue pressionado não só pela oferta crescente de boiadas terminadas no cocho, mas também pelo cenário de escoamento mais calmo da carne bovina nesta segunda quinzena do mês, período de baixo poder aquisitivo da população, devido ao maior distanciamento do pagamento dos salários, no início de agosto.

No curto prazo, porém, com o início de setembro e a entrada de dinheiro na conta dos trabalhadores, a demanda doméstica pela carne bovina tende a crescer, observa a Scot.

Do lado da oferta, a tendência é de acréscimo do gado oriundo de confinamentos nas próximas semanas, o que deve manter o cenário sem grande dificuldade para a compra de gado pela indústria, prevê a consultoria do interior paulista.

No mercado externo, os dados parciais de agosto estão positivos, com média diária de 8,7 mil toneladas de carne bovina in natura embarcadas, o que significa avanço de 11,9% na média diária frente ao mesmo mês de 2020.

“Com consumo doméstico possivelmente melhor no começo de mês e exportações em bom ritmo, é possível que a pressão de baixa diminua, mas o cenário deve seguir pressionado negativamente em curto prazo”, ressalta a Scot.

Segundo levantamento feito pela IHS Markit, com sede na capital paulista, apesar da pressão de baixa dos frigoríficos, cresce a resistência dos pecuaristas em relação às indicações de preços atuais.

“Os pecuaristas buscam resistir às eventuais pressões baixistas impostos pelos compradores, em função dos elevados custos de produção que afetam as suas margens operacionais”, afirma a consultoria, referindo-se aos preços altos da reposição e da nutrição, sobretudo do milho.

Por sua vez, continua a IHS, os frigoríficos também já se movimentam para buscar parcerias por meio de boiteis, fechando negócios com valores fixos por arroba, de maneira que suas margens não sejam tão mais afetadas com um possível movimento de novas altas.

Na visão da IHS, o período de oferta dos primeiros lotes de confinamento vai ficando para trás, o que resultará novamente em forte escassez de oferta de boiadas, quadro que deve perdurar até a entrada de animais confinados no segundo giro.

Segundo levantamento desta quinta-feira realizado pela IHS, nas regiões Norte e Nordeste, as condições de pastagens não permitem a terminação de animais a pasto, garantindo firmeza aos preços da arroba do boi gordo.

No Sudeste e Centro-Oeste, as longas escalas de abate das plantas abatedoras permitem barganhar valores menores pela boiada, relata a consultoria.

Na região Sul, a dinâmica ainda é afetada pela escassez de contêineres, afetando a procura por animais terminados.

No mercado futuro do boi gordo, a maioria dos contratos negociados na B3 registram variações mistas, tanto para baixo quanto para cima.

Os papeis com vencimento em outubro/21 recuam R$ 0,50, enquanto o contrato para novembro/21 avançou R$ 0,10, para R$ 310,75/@ e R$ 318/@, respectivamente.

No mercado atacadista, os preços do corte de traseiro registram recuo de R$ 0,50/kg nesta quinta-feira, enquanto a vaca casada apresenta queda de R$ 0,10/kg.

Os demais cortes bovinos, assim como o couro e o sebo industrial, permaneceram estáveis.

O setor ainda relata lentidão na procura por reposição de estoques, assim como no escoamento no varejo, observa a IHS Markit.

Cotações máximas desta quinta-feira, 26 de agosto, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 316/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 300/@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 302/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 313/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 304/@ (prazo)
vaca a R$ 295/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 304/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 296/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 300/@ (à vista)
vaca a R$ 289/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 300/@ (à vista)

vaca a R$ 290/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 302/@ (prazo)
vaca R$ 292/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 304/@ (prazo)
vaca a R$ 294/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 312/@ (à vista)
vaca a R$ 296/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 311/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 298/@ (à vista)
vaca a R$ 288/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 315/@ (à vista)
vaca a R$ 300/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 315/@ (à vista)

vaca a R$ 300/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 295/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 294/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 287/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 295/@ (à vista)
vaca a R$ 287/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 300/@ (à vista)
vaca a R$ 294/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 284/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 288/@ (à vista)
vaca a R$ 259/@ (à vista)

Por: Denis Cardoso – 26/08/2021

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