Pressão de queda na arroba do boi gordo se mantém nas praças pecuárias brasileiras

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Cotações recuaram R$ 2/@ nas praças paulistas, influenciadas pelo avanço das escalas de abate dos frigoríficos e pela suspensão dos embarques de carne bovina à China.

Nesta segunda-feira, 13 de setembro, os preços do boi gordo recuaram R$ 2/@ nas regiões de São Paulo, para R$ 308/@ (valor bruto e a prazo), informa a Scot Consultoria.

As cotações da vaca e da novilha prontas para abater seguem estáveis nas praças paulistas, a R$ 292/@ e R$ 307/@, respectivamente (preços brutos e a prazo).

Segundo levantamento da IHS Markit, o mercado brasileiro de boiada gorda abriu a semana majoritariamente estável, efeito da liquidez quase nula de negócios efetivados.

Com a chegada da segunda quinzena do mês, diz a consultoria, o consumo de carne bovina no mercado interno tende a ficar ainda mais fraco, um reflexo do baixo poder aquisitivo da população – quando há um maior distanciamento do período de pagamento dos salários.

“A procura por animais terminados é praticamente nula, situação que deve se manter até a retomada das exportações de carne bovina”, relata a IHS, referindo-se ao bloqueio (desde o dia 4/9) dos embarques à China (entre outros países do continente asiático) depois da confirmação de dois casos atípicos de vaca louca (Encefalopatia Espongiforme Bovina-EEB) no Brasil (no Mato Grosso e Minas Gerais).

Segundo a IHS, os frigoríficos brasileiros trabalham atualmente com escalas de abate extremamente confortáveis, o que contribui para a pressão baixista na arroba bovina

Na avaliação da consultoria, esse cenário deve mudar apenas com a retomada das vendas de carne bovina ao mercado chinês, segmento que vinha contribuindo fortemente para a sustentação dos preços do boi gordo em patamares elevados.

“O setor da bovinocultura de corte, apesar de apresentar otimismo em relação à retomada das vendas internacionais para o mercado asiático, ainda opera com grande cautela entre os elos da cadeia”, ressalta a IHS Markit.

Segundo balanço sobre o mercado realizado pela Agrifatto, na última semana, o valor médio do boi gordo recuou 1% na praça de São Paulo, para R$ 309,28/@, o menor patamar desde a terceira semana de maio/21.

“Visualizamos que esta semana o preço do boi gordo no mercado físico deve sofrer pressões negativas, visto que o processo de retomada dos embarques à China deve ocorrer em, no mínimo, 7 dias úteis”, observam os analistas da Agrifatto. “Como o gigante asiático responde atualmente por um consumo de 10% da nossa produção de carne bovina, o apetite dos frigoríficos por novas compras de boiadas deve ser reduzido”, avalia a consultoria.

Além disso, continua a Agrifatto, há no radar uma possível paralisação de auditores fiscais do Mapa (Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento), o que causaria interrupção nos abates dos frigoríficos SIF, a depender do andamento da reforma administrativa que terá relatório aprovado na comissão especial da Câmara dos Deputados.

“Diante disso, há espaço para o boi gordo sofrer maiores pressões negativas no curto prazo, visto que os frigoríficos estão com escalas alongadas”, afirmam os analistas da Agrifatto.

No mercado futuro, os contratos do boi com vencimentos de 2021 registram variações positivas na última sexta-feira (10/11).

Os papeis para outubro/21 e novembro/21 avançaram, respectivamente, R$ 3,30 e R$ 2,50, para R$ 301,95/@ e R$ 308,75/@.

O contrato de vencimento mais curto (setembro) ficou praticamente estável (leve baixa de R$ 0,05), cotado em R$ 295/@.

De acordo com a previsão da Agrifatto, o boi gordo deve registrar uma recuperação no mercado futuro nas próximas semanas.

Embarques também tendem a cair – As exportações de carne bovina in natura iniciaram o mês com o ritmo acelerado, porém, com perspectiva de piora nas próximas semanas, devido à suspensão temporária das exportações ao mercado chinês.

Segundo a Agriffato, o retorno das vendas à China agora depende da agilidade diplomática do governo brasileiro.

“A partir da volta à normalidade dos embarques, deveríamos ver uma recuperação ao patamar dos R$ 310/@ (em São Paulo) já ao fim de setembro/21”, projeta a consultoria.

No passado recente, quando houve a confirmação de um caso de vaca louca atípico no Brasil (em maio/19, no Mato Grosso), o preço do boi gordo em São Paulo recuou de R$ 153,15/@, no dia 31/05/19, para os R$ 144,85/@, em 07/06/19 – uma retração de 5,42%, relembra a Agrifatto.

“Na ocasião, o valor da arroba demorou cerca de 25 dias para recuperar o mesmo patamar (de R$ 153)”, informa a consultoria.

Nos três primeiros dias úteis de setembro/21, 31,53 mil toneladas da proteína foram destinadas aos portos, resultando em uma média diária de 10,51 mil toneladas, 55% superior à média diária de setembro/20, segundo informa a Agrifatto, com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O preço pago pela proteína bovina brasileira no mercado internacional se valorizou 2,46% na última semana, sendo negociada na casa dos US$ 5,81 mil/toneladas.

Com isso, a receita obtida com as vendas externas ficou em US$ 183,51 milhões, resultando em uma média diária de US$ 61,17 milhões, 120% superior aos números finais de setembro/20.

No mercado atacadista, os preços dos principais cortes bovinos, assim como do couro e sebo industrial. permaneceram estáveis nesta segunda-feira.

Segundo a IHS, a demanda dos consumidores por proteína bovina atendeu à expectativa do setor durante o final de semana, mostrando forte recuperação.

Cotações máximas desta segunda-feira, 13 de setembro, segundo dados da IHS Markit:

 

SP-Noroeste:
boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)
MS-Dourados:
boi a R$ 308/@ (à vista)
vaca a R$ 300/@ (à vista)
MS-C.Grande:
boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 302/@ (prazo)
MS-Três Lagoas:
boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)
MT-Cáceres:
boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 292/@ (prazo)
MT-Tangará:
boi a R$ 302/@ (prazo)
vaca a R$ 293/@ (prazo)
MT-B. Garças:
boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 289/@ (prazo)
MT-Cuiabá:
boi a R$ 299/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)
MT-Colíder:
boi a R$ 298/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)
GO-Goiânia:
boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca R$ 290/@ (prazo)
GO-Sul:
boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 292/@ (prazo)
PR-Maringá:
boi a R$ 300/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)
MG-Triângulo:
boi a R$ 308/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)
MG-B.H.:
boi a R$ 306/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)
BA-F. Santana:
boi a R$ 298/@ (à vista)
vaca a R$ 288/@ (à vista)
RS-Porto Alegre:
boi a R$ 305/@ (à vista)
vaca a R$ 300/@ (à vista)
RS-Fronteira:
boi a R$ 305/@ (à vista)
vaca a R$ 300/@ (à vista)
PA-Marabá:
boi a R$ 295/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)
PA-Redenção:
boi a R$ 294/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)
PA-Paragominas:
boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)
TO-Araguaína:
boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 287/@ (prazo)
TO-Gurupi:
boi a R$ 295/@ (à vista)
vaca a R$ 287/@ (à vista)
RO-Cacoal:
boi a R$ 295/@ (à vista)
vaca a R$ 294/@ (à vista)
RJ-Campos:
boi a R$ 299/@ (prazo)
vaca a R$ 283/@ (prazo)
MA-Açailândia:
boi a R$ 288/@ (à vista)
vaca a R$ 284/@ (à vista)
Por Denis Cardoso

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